quinta-feira, 29 de março de 2012

Quero só uma bolinha (de chocolate)

Se hoje ainda fosse Carnaval, eu ia desfilar no bloco da abstinência.
A cabeça dói horrores. Acho que o meu corpo está começando a lembrar do gosto das delícias perdidas.
Ironicamente, tenho uma filha de quase três anos para alimentar e, querendo ou não, as coisinhas que ela gosta de comer são os animais monstruosos que habitam meu subconsciente: bolachas, leite integral, macarrão instantâneo, bananas bem gordas e os kinder ovos ocasionais... Valha-me!
Essa história de dieta já está enchendo o meu saco. Ok. Ela está provavelmente esvaziando o meu saco (de gordura) e enchendo o meu saco (de persistência). Mas nada num dia como esses salva a dor da gorda dietética.
Para piorar (e muito) o meu caso: encomenda de 100 cupcakes recheados de brigadeiro para um casamento. E eu não posso nem provar a massa do bolo! Valha-me novamente!
E, fechando o dia com chave de ouro: aniversário da minha pequena está chegando e eu tive de fazer a lista de salgados e doces e seus respectivos orçamentos: empadinhas, coxinhas, tortinhas de bacon e damasco, beijinho de coco, brigadeiro mole... Eu, que ando mais mole que qualquer brigadeiro, derreti pelo chão de desespero só de ter de passar por essa provação.
Será que rola de entrar num coma induzido e só sair daqui a um mês, bem magrinha?
Se eu não for pega roubando a mamadeira da minha filha nesta madrugada, já saio ganhando...

terça-feira, 27 de março de 2012

ADP + P

Gostosas da academia, regozijem-se! Há uma gorda nova no power pilates! E sou eu!

No imaginário fantástico do gordo dietético (para ser mais literal, do gordo em dieta, ou ainda, obeso light mode on), a academia é como um hades. É a última fronteira entre você e o inferno em si, a danação personificada em gostosas e gostosos que olham para a sua obesidade com pena, desdém ou ódio. Principalmente pena.

(Parece que, quanto mais gostosas, mais pena de gordo elas sentem. Quero dizer, de gordas. Porque de gordo, as gostosas não tem pena; tem nojinho.)

Não sei o que é pior: se ver pessoas muito mais saudáveis e ativas do que eu, ou se ser olhado por elas e não poder fazer/dizer nada que desculpe a minha aparência -- sabe aquelas desculpas bestas que a gente dá quando alguém te surpreende ao fazer algo meio fora da lei do tipo beber água no bico da garrafa da geladeira? Ora, pois bem. Numa hora dessas você levantaria a garrafa e mostraria o quanto é bom de mira "sem encostar o bico, eu juro". E talvez a desculpa colasse, não é? Então. Na academia, a gostosa olha para você com cara de pena e você não tem desculpa para dar. Falar que a roupa é que engorda? Que o espelho deforma? Que está no meio do ciclo menstrual e inchou? Ha-ha-ha. Babaca.

(Aliás, mulher adora culpar o período menstrual para tudo: estou chata? tpm. Estou gorda? Não, bem, é inchaço, por causa da tpm. Confusa? Te-pê-ême! Acho que não.)

Voltando à novidade: power pilates. Eu. Nova dupla. Será? Por enquanto estou gostando demais! E não é para menos: hoje teve Amigo Choco na academia e eu ganhei um ovão da professora!! Hmmm...vou recomendar os serviços para todos... já me sinto membro do grupo!

sábado, 24 de março de 2012

Comemoração

Ok. Hoje farei uma homenagem à minha primeira semana da dieta.
Confesso que, pela primeira vez em meses passei sete (eu disse SETE) dias sem comer porcarias e sem beliscar lanchinhos junkies. Essa era a hora de dizer "OMG ,estou curada! Saí da fase do desespero inicial! A abstinência se foi!". Bom...seria ótimo dizer isso... mas o fato é que a abstinência não se foi: só estou passando mais tempo tentando não pensar nela...

É fato consumado que a grande maioria dos gordos é viciada em comer. Preste bem atenção: vicio no comer, não na comida. A magia de alimentar-se é a chave da questão. Perceber que há desejo por alimento, instigar o desejo, tentar solucionar o desejo. Essa é a rede que maltrata a cabeça obesa desde o princípio dos tempos. Comer é muito mais do que a necessidade de sobreviver. Perpassa a mecânica, a lógica e a subsistência. Comer é um prazer imediato e, para muitos de nós, o mais fácil e abundante e, portanto, aquele para o qual corremos quando a carência fala mais alto.

Ah, Carol... Sinceramente... carência é o caralho!
(Sim, tem gordas que comem por essa carência também, meu bem. E gordos homoafetivos, decerto.)

Comer é a  arte da auto-satisfação garantida: se não se consegue tirar satisfação de outras fontes, que se tire do prato: rápido, fácil e eu posso fazer sozinho (praticamente uma punheta estomacal). O pior de tudo é que, com o passar do tempo, eu já nem percebo que estou fazendo isso e, como toda boa droga, vai perdendo o efeito gradativamente.

E, para   compensar a perda do efeito, o que é que o gordo faz? Aumenta a quantidade. E a frequência de ingestão. E, consequentemente, o tamanho da pança...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Três, Quatro, Feijão no Prato

Mentira. Não tem feijão no meu prato. Nem arroz. Aliás, não tem nada no meu prato além de uma torre de brócolis e um peito de frango magro, branquelo e insosso. Amém.

Apesar disso tudo, sinto-me uma fênix, renascida das cinzas da gordura para a beleza eterna dos ossinhos da clavícula aparecendo!

Mentira também. Meus ossinhos não estão à mostra sob a pele, nem tampouco estou me sentindo uma fênix ainda. Por enquanto, contento-me com o rótulo de gorda em processo de abstinência e desespero. Ah! E já comecei a sonhar com comida...

Confesso que, a cada amanhecer, pulo pra frente do espelho, murcho ao máximo a barriga e dou aquela olhada del lado, pra ver se noto alguma diferença. No fundo do cerebelo, a pergunta imbecil que não se cala um minuto sequer: já estou magrinha? E o espelho responde: ainda não, fofa. Quem acumulou  tantos quilos ao longo de tantos anos não emagrece da noite pro dia. A não ser que seja na faca. Ou no momento da cremação.

Ok. Olhando as coisas com menos sentimentalismo e mais ceticismo: não estou me sentindo mal. Não estou morrendo de fome, mas de dor de cabeça, sim. Imagino cupcakes dentro de cada canequinha vazia que vejo. E já comecei a sentir um gosto inexplicável de farofa com bacon na boca! Quentinha...amarelinha...hmmm! Acho que preciso de terapia behaviorista, porque Pavlov nenhum imaginou o quanto eu salivaria só de imaginar que o horário da refeição está para chegar. Pavlov...pavê + love... I love pavê... hmmmm

sábado, 17 de março de 2012

Madrugada dos mortos

Segundo dia de dieta.

Quando você acorda de madrugada, com a boca seca, desesperado por um gole de água gelada (e chora por não ter um frigobar na beirada da cama).

Então.

Pessoas normais se desesperam por água. A gorda, por sua vez, ao buscar seu balde d´água (porque gordo nunca pega um copo de 220ml; vai direto na caneca de 500), encontra vários desafios gastronômicos e acaba fechando a geladeira com o resto da pizza na mão. E um copo de coca-cola. E esquece a água.

Se eu fosse magra, talvez não tivesse pizza na geladeira. Talvez não tivesse coca-cola. Aliás, para que eu fosse magra eu deveria ter apenas água na geladeira. E algumas frutas. E folhas. E iogurte light. E chá verde.
A bem da verdade, essas coisas todas me desanimam: o que eu atacaria ao ver um filme na tevê? Maçã? Maçã só é bom na tortinha do mcdonalds...

Voltando ao assunto. A água na geladeira. E a pizza.
Peguei a água, numa caneca apocalipticamente enorme. Quando a gente é gordo, tem a impressão de que a satisfação é diretamente ligada à sensação de estar enfarado. Se eu encho o bucho de água, vou sentir que estou enfarada e não vai caber comida ali. Será que essa dinâmica funciona?
Bebi a água e voltei pra cama. Sonhei com sonhos. E com a pizza.
Quando acordei, joguei a pizza fora. Me deu uma grande dor no coração, afinal de contas, todo gordo diz que é gordo porque a mãe ensinou que "comida não se desperdiça" ou que "deve-se comer tudo que está no prato". Desculpas gordurosas. Acho que Deus vai continuar triste com você, sendo glutão ou egoísta, porque, no final das contas, ambos são pecados capitais.

Começo a perceber que o segundo dia de dieta é mil vezes pior do que o primeiro. Acho que tem algo a ver com as suas reservas de carboidratos ou até com a proximidade quase palpável da última refeição deliciosamente desbalanceada antes de entrar na linha. Ontem tudo estava controlado, tranquilo eu diria. Hoje acordei com o caos estomacal rasgando-me as entranhas. "Só um pãozinho não há de fazer mal... um pãozinho com queijo e presunto...hmmm...na chapa... com manteiga por dentro e por fora (só pra não grudar, né?) e um copão de Nescau geladinho", penso. Mas tudo isso não passa de um sonho. Preciso diminuir os danados dos carboidratos. E as gorduras. E, paradoxalmente, vejo-me correndo das duas coisas que constroem o mundo gastronomico perfeito: carboidratos e gorduras.

Procuro um talinho de qualquer coisa para mastigar... um omelete de claras... um suco sem açúcar de alguma fruta cítrica... E minha cabeça já começou a doer, provavelmente por uma  combinação de imaginário histérico e abstinência de carboidratos em excesso. Comida está para mim como heroína está para o Robert Downey Jr. Pelo menos ele não é gordo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Murros flácidos

Não sei de onde veio a foto de capa do blog. Encontrei-a pelo google, ao procurar gordas vintage. Por que gordas vintage? Ora, a gorda vintage é aquela gorda glamourosa, cheirosinha, recheada de fetiche: do universo engordurado dos obesos, a vintage é a menos problemática por fazer cena num imaginário idílico (dizem até que há homens fissurados com essas gordas; coisa que eu acho bastante patológica, a bem da verdade).

A pré-dieta

A maneira mais eficaz de se começar uma dieta poderia ser incluir seus amigos nela.
Não, você não irá comê-los. Irá contar seus planos para eles. Conte. Conte pra todo mundo. E peça a compreensão deles a cada vez que quiserem lhe oferecer uma guloseima gordurosa.

A fase da pré-dieta é muito importante para você visualizar seu caminho e mirar o ponto a ser atingido. Quer consultar um profissional? Faça. Quer começar um grupo de ajuda? Vá. E, principalmente, elimine da sua casa todos os seus subterfúgios para burlar a dieta.

Sabe o que ajuda? Planejamento.
Faça planos, trace a meta. Mire aquela festa de casamento daqui a três meses e imagine o vestido que vai usar.

De tudo que quiser fazer, evite apenas uma coisa: começar na segunda-feira. Essa é a maior armadilha, porque toda semana tem uma segunda-feira; o que significa que você pode tender a recomeçar a cada semana e, já na quarta-feira, abandonar o resto da semana por um deslize eventual. A desculpa do "segunda eu recomeço" é mortal. E, paradoxalmente, é a que todo gordo usa quando quer enfiar comida pra dentro.

Por isso, vamos lá. Sexta-feira: é dia de começar a minha dieta! Porque se eu puder sobreviver ao final de semana, o resto da próxima semana será uma linda caminhada de verão (sem o céu de brigadeiro, óbvio).