Segundo dia de dieta.
Quando você acorda de madrugada, com a boca seca, desesperado por um gole de água gelada (e chora por não ter um frigobar na beirada da cama).
Então.
Pessoas normais se desesperam por água. A gorda, por sua vez, ao buscar seu balde d´água (porque gordo nunca pega um copo de 220ml; vai direto na caneca de 500), encontra vários desafios gastronômicos e acaba fechando a geladeira com o resto da pizza na mão. E um copo de coca-cola. E esquece a água.
Se eu fosse magra, talvez não tivesse pizza na geladeira. Talvez não tivesse coca-cola. Aliás, para que eu fosse magra eu deveria ter apenas água na geladeira. E algumas frutas. E folhas. E iogurte light. E chá verde.
A bem da verdade, essas coisas todas me desanimam: o que eu atacaria ao ver um filme na tevê? Maçã? Maçã só é bom na tortinha do mcdonalds...
Voltando ao assunto. A água na geladeira. E a pizza.
Peguei a água, numa caneca apocalipticamente enorme. Quando a gente é gordo, tem a impressão de que a satisfação é diretamente ligada à sensação de estar enfarado. Se eu encho o bucho de água, vou sentir que estou enfarada e não vai caber comida ali. Será que essa dinâmica funciona?
Bebi a água e voltei pra cama. Sonhei com sonhos. E com a pizza.
Quando acordei, joguei a pizza fora. Me deu uma grande dor no coração, afinal de contas, todo gordo diz que é gordo porque a mãe ensinou que "comida não se desperdiça" ou que "deve-se comer tudo que está no prato". Desculpas gordurosas. Acho que Deus vai continuar triste com você, sendo glutão ou egoísta, porque, no final das contas, ambos são pecados capitais.
Começo a perceber que o segundo dia de dieta é mil vezes pior do que o primeiro. Acho que tem algo a ver com as suas reservas de carboidratos ou até com a proximidade quase palpável da última refeição deliciosamente desbalanceada antes de entrar na linha. Ontem tudo estava controlado, tranquilo eu diria. Hoje acordei com o caos estomacal rasgando-me as entranhas. "Só um pãozinho não há de fazer mal... um pãozinho com queijo e presunto...hmmm...na chapa... com manteiga por dentro e por fora (só pra não grudar, né?) e um copão de Nescau geladinho", penso. Mas tudo isso não passa de um sonho. Preciso diminuir os danados dos carboidratos. E as gorduras. E, paradoxalmente, vejo-me correndo das duas coisas que constroem o mundo gastronomico perfeito: carboidratos e gorduras.
Procuro um talinho de qualquer coisa para mastigar... um omelete de claras... um suco sem açúcar de alguma fruta cítrica... E minha cabeça já começou a doer, provavelmente por uma combinação de imaginário histérico e abstinência de carboidratos em excesso. Comida está para mim como heroína está para o Robert Downey Jr. Pelo menos ele não é gordo.
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